Maior navio de pesquisa sísmica do mundo retorna a Rio Grande em busca de petróleo na Bacia de Pelotas

Maior navio de pesquisa sísmica do mundo retorna a Rio Grande em busca de petróleo na Bacia de Pelotas

Porto está servindo como apoio para pesquisa da norueguesa Shearwater

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O navio SW Empress usado para mapear o subsolo marinho e avaliar o potencial de petróleo na Bacia de Pelotas está de volta ao município de Rio Grande. A embarcação conta com uma tripulação de cerca de 80 pessoas, entre pesquisadores, técnicos e funcionários operacionais.

A Shearwater, empresa com sede na Noruega especializada em mapear o subsolo marítimo para tentar encontrar acumulações de petróleo e gás, retornou sua atividade no litoral gaúcho na última semana e deve seguir até o segundo semestre de 2026.

Os trabalhos, que ocorrem por ciclos, já haviam sido realizados no ano passado e encerrados em junho.

A operação de sísmica 3D, que mapeia uma área de 17,3 mil quilômetros quadrados, está localizada a  cerca de 156 quilômetros da costa, próxima ao município de Santa Vitória do Palmar. 

A embarcação, que chegou ao município rio-grandino no final de semana, tem 122 metros de comprimento, equivalente a uma quadra, e 22 metros na sua parte mais larga. (Veja a localização da embarcação em tempo real).

Até o momento, empresa não se manifestou quando questionada sobre qual é o valor empregado na pesquisa sísmica desta etapa. No ano passado, R$400 milhões haviam sido investidos.

Porto de Rio Grande presta apoio logístico 

Além do navio principal, que atua em alto mar, embarcações de apoio à tripulação estão utilizando o Porto de Rio Grande como apoio logístico.

Segundo a NavOcean, empresa de consultoria ambiental contratada pela Shearwater, há cada 15 dias uma embarcação menor atraca no Porto para abastecer o combustível e suprimentos da tripulação do navio sísmico. 

Além disso, a embarcação de apoio também traz à terra os dados sísmicos coletados em HDs, possibilitando que os pesquisadores dos centros de processamento da empresa norueguesa realizem a continuidade do trabalho. Após, esses dados são vendidos para a Petrobras, vencedora dos blocos de pesquisa

O que são as pesquisas sísmicas na Bacia de Pelotas?

Ainda não há uma confirmação da existência de petróleo na região. Por isso, as pesquisas sísmicas funcionam como uma espécie de ultrassonografia do fundo do mar para identificar as áreas com potenciais de possuir a matéria-prima.

Nessa técnica, equipamentos emitem ondas sonoras que penetram o subsolo marinho. O retorno dessas ondas, refletidas pelas diferentes camadas geológicas, é captado por sensores e processado para mapear a estrutura do fundo do mar e identificar possíveis acumulações de hidrocarbonetos, como o petróleo.

“Esta pesquisa se realiza em águas bem profundas, não tendo sido registrado ocorrências de impactos sobre a pesca artesanal”, informou a nota encaminhada pela NavOcean, empresa contratada pela Searcher para monitorar o estudo. A empresa não divulgou quais foram os resultados encontrados na pesquisa sísmica realizada em 2024.

Segundo o professor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) Giovani Cioccari, intervalos de poços já perfurados revelaram indícios de hidrocarbonetos na região, embora a presença do petróleo nunca tenha sido confirmada.

— Essa região apresenta uma configuração geológica mais estruturada em comparação ao restante da bacia, com maior potencial para reservatórios de hidrocarbonetos. No entanto, apenas os estudos sísmicos poderão indicar o real potencial da área e, em caso positivo, somente a perfuração de poços confirmará a existência — explica o geólogo.

Além da norueguesa Shearwater, a empresa TGS também iniciou, no último sábado (29), a pesquisa na Bacia de Pelotas, mas no litoral de Santa Catarina. 

A empresa está entre as quatro que possuem licença para iniciar trabalhos no litoral do Rio Grande do Sul, assim como Viridien e SLB WesternGeco.

Processo de licenciamento ambiental do Ibama

Para operar na busca por petróleo na região, as empresas precisam de autorização do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Conforme o órgão, o primeiro passo para a emissão dos licenciamentos ambientais é o enquadramento da atividade de pesquisa sísmica proposta. 

Essa fase determina qual tipo de estudo ambiental deve ser apresentado pelas empresas interessadas, levando em conta dois critérios: a profundidade da área de pesquisa e a sensibilidade ambiental da região.

No caso da Bacia de Pelotas, entre os critérios avaliados estão o impacto na frota pesqueira que utiliza anzóis suspensos próximos à superfície, voltada para espécies como atum, e as colisões com aves oceânicas de grande porte, com os cabos das embarcações sísmicas.

Histórico de exploração na região

TGS / Divulgação
Desde 1950, a região da Bacia de Pelotas já passou por quatro ciclos de busca por petróleo.TGS / Divulgação

As atividades exploratórias na Bacia de Pelotas podem ser divididas em quatro ciclos principais ao longo das décadas.

O primeiro ciclo ocorreu nas décadas de 1950 e 1960, quando a Petrobras perfurou oito poços em terra, com base em levantamentos gravimétricos. Nenhum desses poços indicou a presença de hidrocarbonetos.

Na década de 1970, foram realizados os primeiros levantamentos sísmicos na plataforma continental. A partir desses estudos, sete poços foram perfurados em águas rasas, mas também sem resultados significativos.

Nos anos 1990, um novo ciclo trouxe novas aquisições sísmicas e quatro poços perfurados entre 1995 e 1996, novamente sem indícios relevantes de petróleo.

O ciclo mais recente teve início com a criação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 1997, e marcou a retomada dos leilões de áreas exploratórias, abrindo caminho para as pesquisas sísmicas e licenciamento ambiental atuais.

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Fonte: GZH ZonaSul

Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/marta-sfredo/noticia/2025/11/empresa-com-sede-na-noruega-retoma-busca-por-petroleo-no-litoral-gaucho-cmi4ozooh00ko0138gh81c5p8.html

Publicado em: 01/12/2025