A partir dos anos 2000, políticas federais de incentivo à indústria naval e offshore estimularam a criação de arranjos produtivos locais (APLs) no Brasil. No Rio Grande do Sul, esse movimento ganhou força em 2013, quando o território de Rio Grande e entorno apresentou uma proposta ao Edital AGDI 01/2013, sendo a mais bem classificada entre 21 submetidas. Em 2014, foi criada a Associação do Arranjo Produtivo Local do Polo Naval e Offshore de Rio Grande e Entorno, que, de lá para cá, evoluiu até chegar à atual denominação Associação Arranjo Produtivo Local Marítimo do Rio Grande do Sul (APL Marítimo RS).
Hoje, a entidade reúne mais de 100 associados e se consolidou como espaço legítimo de governança da cadeia marítimo-portuária nos municípios de Rio Grande, Pelotas e São José do Norte. Desde sua criação, já captou mais de R$18 milhões de reais em projetos estratégicos, firmando parcerias com instituições como Prosperity Fund (Reino Unido), Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI, Secretaria de Desenvolvimento Econômico do RS, Prefeitura do Rio Grande e Portos RS. Foi reconhecida em duas edições da Conferência Brasileira de APLs como caso de sucesso em dinamização produtiva e modelo de governança. Entre os resultados alcançados, destacam-se a criação do Centro de Simulação de Manobras Navais, instalado no Oceantec Parque Tecnológico da FURG; a implementação do Sistema de Monitoramento de Tráfego (VTS) no canal de acesso ao porto de Rio Grande, em parceria com a Portos RS; e a realização do Fórum de Desenvolvimento da Economia Azul RS. Sua missão é promover a competitividade do setor por meio da cooperação entre os diferentes atores, incentivando inovação, qualificação profissional e desenvolvimento sustentável. O APL atua como um ambiente de governança colaborativa, articulando interesses e projetos que impulsionam a chamada economia do mar (ou economia azul).

A Economia do Mar compreende setores tradicionais como pesca, transporte marítimo, segurança na navegação, petróleo e gás offshore, turismo costeiro e indústria naval, e novos segmentos como energias renováveis oceânicas, biotecnologia marinha e mineração em águas profundas. Esse conjunto passou a ser definido como Economia Azul quando passou a incorporar princípios de sustentabilidade, inovação tecnológica e responsabilidade social.
A Economia Azul dialoga diretamente com a Agenda 2030 da ONU, em especial os ODS 7 (energia limpa), 9 (inovação), 11 (cidades sustentáveis), 12 (consumo responsável), 13 (ação climática) e 14 (vida na água). Segundo a OCDE, a Economia Azul é um setor em expansão que pode dobrar de tamanho até 2030.
O Rio Grande do Sul, com 640 km de costa — a quarta maior do Brasil — e 46 municípios em sua faixa costeira, possui condições únicas para desenvolver essa agenda. A Lagoa dos Patos e os portos de Rio Grande e de Pelotas consolidam a região como centro logístico e produtivo de importância nacional, com vocação para turismo costeiro, indústria naval, atividades portuárias e projetos emergentes de energia eólica offshore.
O APL Marítimo RS tem como principal objetivo fortalecer esse protagonismo da região sul do RS na agenda da Economia Azul, promovendo as potencialidades dos setores que a compõem. A mandala abaixo, evidencia a ampla gama de atividades que encontramos na região.