Gerente nacional da TGS reafirma confiança em encontrar petróleo na Bacia Pelotas

Gerente nacional da TGS reafirma confiança em encontrar petróleo na Bacia Pelotas

Pesquisa sísmica entra em “período de silêncio”, mas deverá seestender até 2028

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Em uma área de cerca de 40 mil metros quadrados no Oceano Atlântico, na porção da costa entre o sul do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, a Bacia Pelotas avança para ser uma nova fronteira exploratória de petróleo do Brasil. Neste momento, o projeto encontra-se em fase exploratória, onde as pesquisas sísmicas avançam com a tecnologia 3D, que permitem uma visualização mais precisa da malha densa e indicam as áreas que poderão receber futuras perfurações.

João Carlos Correa é gerente nacional da TGS, empresa responsável pela pesquisa e que atua desde 2014 na Bacia Pelotas, e afirma que, durante a fase de reconhecimento regional, as imagens geradas pelos pulsos elétricos deram provas de que há estruturas interessantes a serem pesquisadas na área. Ainda que não seja uma garantia e que não haja um prazo para iniciar as perfurações, os pesquisadores esperam que o desfecho seja positivo para a exploração de petróleo.

Quanto à produção, a expectativa é que a bacia poderá ter capacidade exploratória de cerca de 15 bilhões de barris de petróleo, o que só poderá ser confirmado ao final da fase exploratória e com o início das perfurações dos poços. A descoberta de petróleo na região da Namíbia – porção do continente africano que se conectava com a costa gaúcha em um passado geológico – impulsionou as pesquisas e aumentou a expectativa de encontrar hidrocarbonetos na Bacia Pelotas.

No próximo dia 10 de agosto, os navios que realizam a sísmica deverão parar as operações por dois meses. A condição é imposta pela licença ambiental e é chamada de “período de silêncio”. O objetivo é mitigar impactos sobre a fauna marinha sensível, especialmente aves e cetáceos, durante a temporada de maior ocorrência dessas espécies.

O retorno da sísmica deve acontecer em outubro, principalmente no projeto Pelotas Sul, que refere-se à porção que fica a cerca de 100 quilômetros de Mostardas (RS), ainda com duas fases previstas, para 2027 e 2028, de acordo com Correa. A área que recebe a sísmica compreende a extensão da costa a partir do início da Lagoa dos Patos até a altura do Chuí, na fronteira com o Uruguai.

Já o projeto Pelotas Norte, que fica a cerca de 96 quilômetros de Laguna (SC), ainda não tem definição de quando os trabalhos exploratórios serão retomados.

A próxima janela está prevista para acontecer entre julho e setembro de 2027. Iniciada em novembro do ano passado, a pesquisa da TGS na Bacia de Pelotas é licenciada pelo Ibama e conta com autorização da Marinha do Brasil e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Exploração estratégica
O representante da TGS menciona que a situação do Brasil como produtor de petróleo coloca o país em situação privilegiada, frente aos demais, em contextos de crise global e geopolítica, como observado recentemente. A realidade poderá ser a oposta, com a restrição de circulação de petróleo, declínio de oferta e aumento de preço.

“Se o país não recompor as reservas, nós voltamos a um passado triste que já tivemos, onde nós perdemos nossa
soberania energética, e perder soberania energética é perder qualidade de vida. Então, hoje no Brasil, o pré-sal já está se esgotando, ele mantém o status que nós temos, mas o petróleo não é renovável”, diz.

Com isso, a concretização da possibilidade de exploração de petróleo na Bacia Pelotas torna-se estratégica, não somente para o desenvolvimento da Zona Sul, mas para a garantia de toda a cadeia energética brasileira.


Prazos e condição ambiental
Na margem equatorial do hemisfério, entre a descoberta do petróleo e a produção, passaram-se oito anos, tempo que é considerado recorde pelos pesquisadores. Correa destaca que os prazos para início da perfuração de poços na Bacia Pelotas dependem do licenciamento ambiental e de outras análises, o que torna impossível prever datas para novas etapas.

Ainda assim, o representante da TGS garante que, com a parceria da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), os dados têm contribuído com as pesquisas dentro do campo ambiental. “Nós temos condicionantes de pesquisa ambiental sem precedentes no mundo. Além de estarmos revelando o potencial geológico para a produção de educação, nós também estamos ajudando, contribuindo para o entendimento da biodiversidade da bacia”, afirma.

Correa reconhece que qualquer atividade, nestas dimensões, causa algum dano ambiental, mas que há investimento em pesquisa para entender os impactos da atividade e como mitigar estes efeitos. “Como a gente vai entrar nessa janela de silêncio, ou seja, nós estamos concluindo a primeira fase, nós vamos receber aqui os analistas do Ibama que vão ver como está esse processo”, garante.

Para cada perfuração de poço para a exploração de petróleo é necessário um pedido de licença ambiental. Estatisticamente, para cada dez poços são realizadas duas descobertas de jazidas. “Eu consideraria a bacia de Pelotas praticamente uma bacia virgem. Nós tivemos aqui oito ou nove poços, nenhum deles acima de metros de lâmina d’água. Então, eu acho que é uma bacia virgem. Do lado do [oceano] Atlântico, a gente não conhece, por isso a necessidade de perfurar”, explica o representante da TGS.

Oportunidades
Tudo o que usamos no dia a dia tem algum componente de petróleo, sendo assim, sempre será um recurso importante. Além disso, a descoberta do minério nas proximidades de Pelotas e da Zona Sul tem potencial de mudar o cenário econômico regional. As características dos portos, as operações de importação e exportação, a ampliação para atendimento offshore serão uma realidade.

O contexto comercial das cidades também mudará, os pesquisadores projetam um aquecimento do comércio, com novos serviços a serem prestados. “Acho que vocês estão muito mais preparados. A cidade está dentro de uma região que vai ter capacidade e tem universidades. Eu vejo vocês com um futuro muito mais promissor e uma capacidade muito maior de absorver as possibilidades e as oportunidades que virão com uma eventual descoberta, que eu espero que aconteça”, projeta Correa.

Discussão política
Ao reconhecer tratar-se de um processo demorado até a perfuração, o representante da TGS cita exemplos de poços que chegaram a ficar 25 anos esperando ser licenciado, mas defende que o processo pode ser encurtado se houver engajamentos dos entes públicos e, principalmente, daqueles que irão representar a região em cargos políticos. “Por isso é muito importante que entre no debate político. Nós estamos em ano de eleição, tem que entrar no debate político para a gente saber a posição que os nossos políticos vão ter nesse caso, porque tudo é pressão política, e a política é o único instrumento que a gente tem de fazer as coisas, dentro de um campo democrático, de forma com que prevaleçam os interesses legítimos da sociedade”, defende.

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Fonte: A Hora do Sul

Disponível em: https://ahoradosul.com.br/conteudos/2026/08/05/gerente-nacional-da-tgs-reafirma-confianca-em-encontrar-petroleo-na-bacia-pelotas/

Publicado em: 05/08/2026