“Esses recursos devem ficar em Rio Grande”, defende secretário sobre compensação da CMPC

“Esses recursos devem ficar em Rio Grande”, defende secretário sobre compensação da CMPC

Município quer que cerca de R$ 6,5 milhões sejam destinados a unidades de conservação e projetos de adaptação climática

Durante audiência pública promovida pela Fepam, representantes do município defenderam que os recursos da compensação ambiental permaneçam em Rio Grande.

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Rio Grande busca garantir que os recursos da compensação ambiental prevista para o futuro terminal de celulose da CMPC sejam aplicados no próprio município. O pedido foi apresentado durante a audiência pública realizada na segunda-feira (1º), etapa do processo de licenciamento ambiental conduzido pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

A estimativa de aproximadamente R$ 6,5 milhões foi mencionada durante o encontro pelo secretário municipal de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Antônio Soler. O valor, porém, ainda não consta em parecer técnico ou documento oficial do processo.

A compensação ambiental é uma obrigação legal imposta a empreendimentos considerados de significativo impacto ambiental. Os recursos devem ser destinados à preservação ambiental e ao fortalecimento de áreas protegidas.

Segundo Soler, a principal reivindicação do município é que o montante seja investido em projetos locais.

— A previsão inicial é de aproximadamente R$ 6,5 milhões em compensação ambiental. A exigência é que seja aplicado na mesma região ou bioma onde ocorre o impacto, mas entendemos que esses recursos devem ficar em Rio Grande, onde temos capacidade técnica para executar projetos ambientais e ampliar a proteção de áreas sensíveis — afirma.

O secretário argumenta que a cidade possui unidades de conservação aptas a receber investimentos e enfrenta desafios relacionados às mudanças climáticas.

— Temos unidades de conservação que podem e devem receber compensações ambientais. Também podemos investir em áreas de preservação permanente e em projetos voltados ao enfrentamento das emergências climáticas. Rio Grande é praticamente uma ilha e extremamente vulnerável sob o ponto de vista climático — destaca.

Portos RS / Divulgação
Caso o cronograma seja mantido, as obras deverão começar em janeiro de 2027.Portos RS / Divulgação

A definição sobre a destinação dos recursos deverá ocorrer nas próximas etapas do licenciamento.

Terminal prevê investimento de R$ 1,5 bilhão

Terminal Rio Grande do Sul será implantado por meio de uma joint venture entre a CMPC e a Neltume Ports, no distrito industrial rio-grandino. O investimento previsto é de R$ 1,5 bilhão e, caso o cronograma seja mantido, as obras devem começar em janeiro de 2027.

O empreendimento ocupará uma área de aproximadamente 40 hectares dentro da zona portuária, em um espaço anteriormente utilizado por empresas como Swift, Fertisul e Estaleiro QGI.

De acordo com o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), o local já apresenta histórico de ocupação industrial e significativa alteração ambiental. A vegetação predominante é formada por espécies herbáceas e exóticas invasoras, levando os responsáveis pelo estudo a classificarem a área como ambientalmente descaracterizada.

A localização foi escolhida após a análise de diferentes alternativas dentro do complexo portuário. Conforme o relatório, o espaço apresentou menor potencial de impacto sobre os meios físico, biótico e socioeconômico.

Obras, impactos e medidas de mitigação

Entre as intervenções previstas estão a dragagem inicial para implantação das estruturas aquáticas, a preparação do terreno e a supressão pontual de vegetação.

Durante a fase de obras, os estudos apontam impactos temporários, como aumento dos níveis de ruído, intensificação do tráfego de veículos pesados, alterações na qualidade da água e dos sedimentos e riscos de afugentamento ou atropelamento de animais.

O levantamento ambiental identificou 37 espécies de aves na área e no entorno do empreendimento, além de mamíferos, anfíbios, répteis, peixes e crustáceos típicos do estuário da Lagoa dos Patos, que deverão ser monitorados ao longo da implantação.

Duas espécies vegetais consideradas de interesse para conservação — o butiá e a figueira-de-folha-miúda — poderão ser transplantadas caso sejam afetadas pelas obras. O estudo também prevê compensação pela supressão vegetal necessária para a implantação das estruturas.

Para reduzir os impactos identificados, o empreendimento propõe 15 programas ambientais. Entre eles estão ações de monitoramento da qualidade da água e dos sedimentos, manejo da fauna silvestre, recuperação de áreas degradadas, gerenciamento de resíduos, educação ambiental e acompanhamento da atividade pesqueira artesanal.

Capacidade operacional e geração de empregos

O terminal será destinado exclusivamente à movimentação de celulose. A carga chegará ao município por meio de barcaças oriundas das unidades da CMPC em Guaíba e Barra do Ribeiro, navegando pelo Lago Guaíba e pela Lagoa dos Patos até o Porto do Rio Grande.

No terminal, os fardos serão descarregados, armazenados e posteriormente embarcados em navios destinados à exportação. A capacidade operacional prevista é de pelo menos 10,8 mil toneladas de celulose por dia.

Segundo o diretor-geral do Terminal Rio Grande do Sul, Leonardo Maurano, o empreendimento deve fortalecer a cadeia logística regional.

— O projeto possui potencial para ampliar significativamente a movimentação portuária, fortalecer a cadeia logística regional e consolidar ainda mais Rio Grande como um importante hub para operações ligadas ao setor florestal e à exportação de celulose — afirma.

A empresa estima a geração de cerca de 1,2 mil empregos durante a fase de obras. Quando entrar em operação, a previsão é de 450 empregos diretos e mais de 2,1 mil postos de trabalho indiretos ligados às atividades portuárias e logísticas.

Próximas etapas

O processo de licenciamento encontra-se na fase de Licença Prévia (LP). Após analisar as contribuições apresentadas durante a audiência pública e os estudos ambientais, a Fepam decidirá sobre a concessão da licença.

Se a autorização for emitida, o empreendimento poderá avançar para a etapa de Licença de Instalação (LI), necessária para o início das obras. A operação do terminal dependerá posteriormente da obtenção da Licença de Operação (LO).

Além do terminal, está previsto um investimento de R$ 142,7 milhões para o aprofundamento do canal de acesso ao Porto do Rio Grande, ampliando a profundidade de 9,5 metros para 12 metros e permitindo a operação de embarcações de maior porte.

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Fonte: GZH ZonaSul

Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/zona-sul/geral/noticia/2026/06/esses-recursos-devem-ficar-em-rio-grande-defende-secretario-sobre-compensacao-da-cmpc-cmpxdt4g300ta016dvej1cgf9.html

Publicado em: 03/06/2026