Fortalecimento da Petrobras na petroquímica deve viabilizar projeto de cerca de R$ 6 bi pra transformar refinaria Riograndense
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O encaminhamento da transferência do controle da Braskem da Novonor (ex-Odebrecht) para a gestora IG4 Capital, somada a uma participação ainda mais relevante da Petrobras na gestão da empresa petroquímica, deve destrancar um investimento de cerca de R$ 6 bilhões no Estado. Esse é o aporte estimado para transformar a refinaria Riograndense, em Rio Grande, em biorrefinaria.
Braskem, Petrobras e Grupo Ultra são sócias do complexo localizado no município gaúcho. A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante visita ao Estado em janeiro, havia adiantado que a expectativa era iniciar as obras de transformação da unidade no segundo semestre deste ano, para finalizá-las em 2028. No entanto, em março, ela comunicou que o papel da Braskem no investimento dependia da definição societária da companhia petroquímica.
Agora, com o encaminhamento da IG4 Capital de ficar com 50,1% do capital votante da Braskem e a Petrobras 47%, além de Magda ter sido escolhida como presidente do conselho de administração da companhia petroquímica, o caminho está aberto para que o projeto da biorrefinaria siga adiante. Essa opinião foi praticamente um consenso durante o “Fórum Indústria Química RS: competitividade, inovação e desenvolvimento do Brasil” realizado ontem, na Fiergs, em Porto Alegre.
Entre os que preveem a confirmação do projeto da biorrefinaria está o diretor da MaxiQuim Assessoria de Mercado, João Luiz Zuñeda. “Pelo peso que a Petrobras tem, como acionista da Braskem e da Riograndense, e por todo o debate que temos hoje do ‘bio’ no negócio da química”, argumenta o consultor.
“Temos que trabalhar nessa direção, de consolidar a biorrefinaria de Rio Grande”, acrescenta o deputado estadual e presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cadeia Produtiva Sustentável do Setor Químico, Petroquímico e Petroleiro, Miguel Rossetto (PT). Ele espera que a participação da Petrobras na gestão da Braskem, como sócia relevante, viabilize a manutenção e a expansão da atividade petroquímica no País.
“Há grandes possibilidades desse projeto (da biorrefinaria) avançar”, concorda o deputado federal Paulo Pimenta (PT), líder do governo Lula na Câmara. Ele reforça que a proposta, envolvendo o uso de matérias-primas renováveis, está em sintonia com o que o governo brasileiro está pensando quanto ao plano de investimentos da Petrobras.
O empreendimento da biorrefinaria está pautado na produção de itens como combustível sustentável de aviação (SAF) e o chamado diesel verde (feito com matéria-prima renovável). Entre os insumos que podem ser aproveitados para fabricar esses combustíveis estão o óleo de soja, o óleo técnico de milho (TCO), o óleo de cozinha utilizado (UCO) e o sebo bovino. Atualmente, a refinaria gaúcha tem capacidade de processamento instalada de 17 mil barris de petróleo ao dia.
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Acesso competitivo à matéria-prima é meta do setor
Atenção à questão do suprimento de matérias-primas a um custo razoável é um dos maiores desafios para o setor nacional de produtos químicos, aponta o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos Cordeiro. O dirigente salienta que um dos objetivos a ser perseguido é a construção no Brasil de uma nova indústria química derivada de matérias-primas renováveis.
“A gente já tem histórias a contar nesse terreno. No Rio Grande do Sul, por exemplo, há a planta de eteno verde no Polo de Triunfo”, cita Cordeiro. O representante da Abiquim considera uma perspectiva interessante para o setor a participação mais ativa da Petrobras na Braskem, o que deve favorecer a integração dos segmentos petroquímico e de refino. Ele espera que essa movimentação acabe gerando o aproveitamento de sinergias entre as empresas.
Por sua vez, o presidente do Conselho de Administração do Comitê de Fomento Industrial do Polo do Rio Grande do Sul (Cofip) e diretor industrial da Braskem no Estado, Nelzo Silva, complementa que hoje a indústria química brasileira e gaúcha vive um cenário extremamente difícil de competitividade (em relação a produtos importados). Ele enfatiza que o setor precisa de ajuda e elogia mecanismos de apoio para a área como o Regime Especial da Indústria Química (REIQ) e o Programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (Presiq). “Proteger a indústria não faz mal, não é vergonhoso, é cuidar da economia, dos empregos, do desenvolvimento nacional”, assinala Silva. Já o presidente do Sindicato das Indústrias Químicas do Rio Grande do Sul (Sindiquim-RS), Mauricio Ecker Fontana, recorda que o segmento gera aproximadamente 20 mil empregos no Rio Grande do Sul. “A indústria química não é coadjuvante na economia do nosso Estado”, enfatiza o dirigente.
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Fonte: Jornal do Comércio
Disponível em: https://www.jornaldocomercio.com/economia/2026/05/1248985-fortalecimento-da-petrobras-na-braskem-deve-destravar-projeto-de-biorrefinaria-em-rio-grande.html#:~:text=O%20encaminhamento%20da%20transfer%C3%AAncia%20do,R%24%206%20bilh%C3%B5es%20no%20Estado.
Publicado em: 18/05/2026